Prazo para Requerer Pensão por Morte (90/180 dias)
A pensão por morte pedida em até 90 dias do óbito, ou 180 para filho menor de 16 anos, é devida desde o óbito (art. 74 da Lei 8.213/91). Veja o efeito da perda do prazo nos atrasados.
Prazos para requerer pensão por morte e auxílio-reclusão: 90 e 180 dias
O prazo decide se a pensão por morte retroage ou não. Requerida em até 90 dias corridos do óbito (ou 180 dias para filho menor de 16 anos), a data de início do benefício (DIB) volta para a data do óbito, com todos os atrasados. Passado esse prazo, o benefício só vale a partir da data do requerimento, e os valores anteriores se perdem. A base é o art. 74 da Lei 8.213/91. O auxílio-reclusão segue a mesma lógica, contada da prisão (art. 116 do Decreto 3.048/99).
Para contar este prazo com o calendário, use a calculadora de prazos previdenciários.
Arts. 74 e 76 da Lei 8.213/91 sobre a data de início da pensão
Dois artigos resolvem quase todas as dúvidas sobre quando o dinheiro começa a contar. O primeiro fixa a data de início conforme o prazo do requerimento. O segundo trata da entrada tardia de um dependente que ficou de fora no começo.
Art. 74 da Lei 8.213/91
A pensão por morte será devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não, a contar da data:
I - do óbito, quando requerida em até 180 (cento e oitenta) dias após o óbito, para os filhos menores de 16 (dezesseis) anos, ou em até 90 (noventa) dias após o óbito, para os demais dependentes;
II - do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no inciso anterior;
III - da decisão judicial, no caso de morte presumida.
§ 1º Perde o direito à pensão por morte o condenado criminalmente por sentença com trânsito em julgado, como autor, coautor ou partícipe de homicídio doloso, ou de tentativa desse crime, cometido contra a pessoa do segurado, ressalvados os absolutamente incapazes e os inimputáveis.
§ 2º Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o companheiro ou a companheira se comprovada, a qualquer tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável, ou a formalização desses com o fim exclusivo de constituir benefício previdenciário, apuradas em processo judicial no qual será assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Art. 76 da Lei 8.213/91
A concessão da pensão por morte não será protelada pela falta de habilitação de outro possível dependente, e qualquer inscrição ou habilitação posterior que importe em exclusão ou inclusão de dependente só produzirá efeito a contar da data da inscrição ou habilitação.
O prazo de 180 dias para o filho menor de 16 anos hoje está dentro do próprio inciso I do art. 74, não em parágrafo separado. Os §§ 1º e 2º do art. 74 tratam de hipóteses de perda do direito: homicídio doloso, na redação da Lei 13.846/2019, e fraude no casamento ou união estável, incluída pela Lei 13.135/2015.
Pensão por morte em 90 dias: a DIB retroage ao óbito
Para o dependente em geral, o cônjuge, o companheiro, os pais, há uma janela de 90 dias corridos contados do falecimento. Quem protocola o pedido dentro dela tem a data de início do benefício (DIB) fixada no dia do óbito. Na prática, o segurado morre, a família reúne os documentos, dá entrada no INSS e o benefício passa a contar desde a morte, ainda que a análise demore meses para sair.
Esse retroativo pode representar expressivo valor pecuniário. Se o óbito ocorreu em janeiro e o deferimento sai em junho, com requerimento feito dentro dos 90 dias, os cinco meses entre uma data e outra entram como atrasados a serem pagos de uma vez.
Contam-se 90 dias corridos a partir do dia seguinte ao óbito. Protocolado o requerimento dentro dessa janela, a DIB retroage ao dia da morte. O atraso do INSS na análise não prejudica o dependente.
Filho menor de 16 anos: prazo ampliado para 180 dias
A lei reconhece que crianças e adolescentes dependem da iniciativa de um responsável e, por isso, dobra a margem. Para o filho menor de 16 anos, o prazo que garante a DIB retroativa ao óbito é de 180 dias corridos, não 90. A regra está no mesmo inciso I do art. 74.
Essa ampliação de prazo legal mira o filho menor de 16 anos. Para o dependente absolutamente incapaz, o STJ reconhece proteção ainda mais ampla quanto à recuperação de atrasados (REsp 1.767.198, 2ª Turma, j. 08/10/2019), ponto que aparece adiante na habilitação tardia. O número de 180 dias, porém, é o que a lei escreve de forma expressa.
Contagem em dias corridos dos 90 e 180 dias da pensão
Os prazos do art. 74 correm em dias corridos. Não há suspensão em fins de semana nem em feriados, e a contagem não para. Noventa dias corridos significam cerca de três meses calendário, e cento e oitenta dias, cerca de seis meses. Tratar esses prazos como dias úteis implica perda de retroativos.
Não confunda o prazo de retroação com a prescrição. A pensão em si não desaparece por não ter sido pedida, ela pode ser requerida depois, com DIB no requerimento. O que se perde com o tempo são os retroativos: fora do prazo do art. 74, I, a DIB passa a ser a data do requerimento (art. 74, II), e o período entre o óbito e o pedido não é pago.
Óbito na quarta-feira 1º de julho de 2026
Um segurado faleceu na quarta-feira 1º de julho de 2026, e o dependente era o cônjuge. O dia do óbito ficou fora da contagem, que começou na quinta-feira 2 de julho.
Julho somou 30 dias e agosto, 31, num total de 61. Setembro completou os 29 restantes, contados sem pausa: o feriado da Independência, na segunda-feira 7, entrou na conta como qualquer outro dia.
O nonagésimo dia caiu na terça-feira 29 de setembro, último dia para requerer a pensão com a data de início no óbito. Requerida a partir da quarta-feira 30 de setembro, a pensão passaria a contar da data do requerimento.
Requerimento após o prazo: DIB só a partir do pedido
Perder a janela não significa perder a pensão. O benefício continua devido, mas muda a data de início. Pelo inciso II do art. 74, quem requer depois de 90 dias (ou de 180, conforme o caso) recebe a partir da data do requerimento, não da morte.
O efeito prático é a perda dos atrasados do intervalo entre o óbito e o pedido. Se a morte foi em janeiro e a entrada só ocorreu em outubro, fora do prazo, os meses de janeiro a outubro não são pagos. A pensão começa a contar de outubro em diante.
Depois de vencido o prazo, cada dia de atraso não adia apenas o início do recebimento, ele apaga definitivamente um pedaço dos retroativos. Não há como recuperar depois o período anterior ao requerimento feito fora do prazo.
Perder o prazo significa perder os retroativos
O prazo do art. 74 não é um prazo de validade do benefício, é um prazo de retroação. Dentro dele, a pensão paga o período inteiro desde a morte. Fora dele, ela passa a contar só do dia em que o pedido foi feito. O requerimento imediato é, portanto, a medida que assegura a integralidade dos retroativos.
Morte presumida: DIB na decisão judicial
Quando não há corpo nem certidão de óbito, mas há desaparecimento, o benefício depende de declaração judicial. Nesse caso, o inciso III do art. 74 fixa a DIB na data da decisão judicial que reconhece a morte presumida, e não em uma data anterior estimada do desaparecimento.
Habilitação tardia de outro dependente (art. 76)
É comum um dependente aparecer depois que a pensão já está sendo paga a outro. Um filho de outro relacionamento, por exemplo. O art. 76 resolve a situação em duas partes.
Primeiro, a concessão não espera por todos. O INSS não pode segurar o pagamento de quem já se habilitou alegando que pode existir outro dependente. A pensão é concedida a quem se apresentou e está pronto.
Segundo, a entrada do dependente atrasado produz efeito a partir da data da sua habilitação ou inscrição, não da morte. Quando esse novo dependente entra, a pensão é rateada, mas a quota dele passa a contar da habilitação. Os valores que o primeiro dependente já recebeu sozinho, antes disso, não são revistos nem cobrados de volta.
O STJ ressalva o dependente absolutamente incapaz: como contra ele não corre prescrição, a pensão é devida desde o óbito mesmo em habilitação tardia (REsp 1.767.198, 2ª Turma, j. 08/10/2019). A ressalva tem exceção: se outro dependente já recebia a pensão, o INSS não paga de novo os atrasados, para não pagar duas vezes o mesmo benefício (AgInt no AREsp 1.699.836, 2ª Turma, j. 07/12/2020). É um ponto que normalmente exige avaliação individual do caso.
O dependente que aparece depois, em regra, não recebe os atrasados desde a morte. Pelo art. 76, a habilitação posterior produz efeito a partir da data da própria habilitação ou inscrição, sem retroagir à morte. O STJ ressalva o dependente absolutamente incapaz, que recebe desde o óbito (REsp 1.767.198), salvo se outro dependente já recebia a pensão (AgInt no AREsp 1.699.836).
Auxílio-reclusão: a mesma lógica, contada da prisão
O auxílio-reclusão é devido aos dependentes do segurado de baixa renda recolhido à prisão em regime fechado, nas mesmas condições da pensão por morte. O art. 116 do Decreto 3.048/99 manda aplicar a estrutura da pensão, o que arrasta a regra de DIB e de prazos do art. 74.
A diferença é o ponto de partida da contagem. Em vez do óbito, conta-se do recolhimento à prisão. Requerido dentro do prazo, o benefício retroage à data da prisão; fora do prazo, vale a partir do requerimento. A mesma diferença entre as classes de dependente quanto à margem de dias se aplica.
Tabela de prazos e efeito na DIB
| Situação | Prazo do requerimento | Data de início do benefício (DIB) | Base legal |
|---|---|---|---|
| Dependente em geral, no prazo | Até 90 dias corridos do óbito | Data do óbito (retroativo) | Art. 74, I |
| Filho menor de 16 anos, no prazo | Até 180 dias corridos do óbito | Data do óbito (retroativo) | Art. 74, I |
| Qualquer dependente, fora do prazo | Após 90 ou 180 dias | Data do requerimento | Art. 74, II |
| Morte presumida | Via ação judicial | Data da decisão judicial | Art. 74, III |
| Habilitação tardia de outro dependente | A qualquer tempo | Data da habilitação ou inscrição | Art. 76 |
| Auxílio-reclusão | Mesmos prazos, da prisão | Prisão se no prazo; requerimento se fora | Art. 116, Dec 3.048/99 |
Fontes
- Lei 8.213/91, art. 74 (data de início) e art. 76 (habilitação posterior)
- Decreto 3.048/99, art. 116 (auxílio-reclusão)
Perguntas frequentes
Qual é o prazo para a pensão por morte retroagir ao óbito?
São 90 dias corridos contados do óbito para o dependente em geral, e 180 dias corridos para o filho menor de 16 anos. Requerido dentro dessa janela, o benefício começa a contar da data da morte, com os atrasados do período. A base é o art. 74, I, da Lei 8.213/91.
Requerida a pensão após o prazo, o benefício é perdido?
Não. A pensão continua devida, mas a data de início passa a ser a do requerimento, e não a do óbito. O que se perde são os valores do período entre a morte e o pedido. É a regra do art. 74, II.
O prazo conta em dias úteis ou corridos?
Dias corridos. A contagem não para em fins de semana nem feriados. Noventa dias equivalem a cerca de três meses de calendário, e cento e oitenta dias, a cerca de seis meses.
O auxílio-reclusão segue o mesmo prazo da pensão?
Sim, com a mesma lógica de retroação. A diferença é o ponto de partida, já que se conta da data do recolhimento à prisão, não do óbito. A regra está no art. 116 do Decreto 3.048/99, que aplica ao auxílio-reclusão as condições da pensão por morte.
A demora do INSS em analisar prejudica o retroativo?
Não. O que importa é a data em que o requerimento foi protocolado. Se o pedido entrou dentro do prazo, a DIB retroage ao óbito mesmo que a análise leve meses para ser concluída. O atraso administrativo é do INSS, não do dependente.